quarta-feira, 27 de maio de 2009

Sobre Alencar.

"- A riqueza também tem sua decência. Casou-se com uma milionária, é preciso sujeitar-se aos ônus da posição. Os pobres pensam que só temos gozos e delícias; e mal sabem a servidão que nos impõe esta gleba dourada. Incomoda-lhe andar de carro? E a mim não me tortura este luxo que me cerca? Há cilício de crina que se compare a estes cíclicos de tule e seda que eu sou obrigada a trazer sobre as carnes, e que me estão rebaixando- a todo o instante, porque me lembra que aos olhos deste mundo, eu, a minha pessoa, a minha alma, vale menos do que esses trapos?

As últimas palavras pareciam escapar-se dos lábios da moça rorejadas de lágrimas. Seixas esquecendo a pungente alusão que sofrera pouco antes, fitou-a com olhos compassivos; mas ela recobrara já o tom de agressiva ironia:

- Assim o mundo achará em mim a sua criatura; a mulher, que festeja e enche de adorações. Eu serei para ele o que ele me fez.

Esse mundo, Fernando compreendeu que era o pronome de sua infelicidade e ambição. (...)"

(Senhora, José de Alencar)



Desculpe Quintana, mas esse Alencar eu recomendo!

2 Piruetas.:

Jaya disse...

Esse é dos meus livros preferidos, entre viuvinhas, lucíolas, iracemas...

Eu simplesmente não sei não admirar José de Alencar. Não sei.

Beijo, Ká.

Andréia disse...

nunca li.. era rebelde na escola e copiava dos outros.. azar o meu? sem duvida..

beijos

 

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