sexta-feira, 29 de maio de 2009

Ponto de vista.

Ele, por seu momento, foi doçura e amargura. Foi todo o sentido que eu deixava escapar dos meus dedos e todas as perguntas que eu prendia entre os dentes.
Ele não sabia, mas eu era pura angústia que quando mergulhada naqueles olhos virava bonanza. Não imaginava, mas era tanta tristeza em mim, tanta coisa guardada, tanta dor disfarçada, que cada sorriso que ele me causava era uma parede caída.
Ele talvez não lembre, mas quando me encontrou os meus olhos eram de adeus. É que eu me despedia de mim todos os dias, morrendo, cedendo, calando. E ele apareceu como quem corta caminho, espalhando as flores de uma estação que eu não conhecia.
Eu o encontrei como quem encontra um livro raro, convidativo, sedutor. Era ele as páginas de todo um desejo, as figuras de todo um futuro. E eu, curiosa para ler, me deti em degustar aquela interpretação. E percebi que ele era a poesia que eu mesma datava. Era a história que eu inventava. Era tudo, mesmo sem poder ser nada. E, depois de muito tempo, um livro me fez sorrir.
Me diga você, poderia eu lê-lo sem querê-lo depois? Conseguiria eu resistir? Não somar poesia, não montar parágrafos? Logo eu que nasci com uma caneta de sonhos na mão?
Deixei-me versar. Porque era ele um punhado de palavras que me abraçavam inteira. E, depois de muito tempo, um livro me fez sonhar.

E por trás de todo o meu discurso amoroso, eu é que não sabia de amor.
Porque escondido nos meus capítulos idealizados estava a minha realidade, dura, insistente.


Hoje, ele é a distância entre meus dois opostos, ele é a voz que condena meus atos. Ele ainda é poesia, ainda é livro, ainda é alvo da caneta que me acompanha. Mas agora também é frieza, silêncio, lembrança.
Ele era tudo o que eu precisava, mas não chegou a ser o que eu vivia. E talvez ele nunca entenda o quanto eu quis ser livro, e não leitora, apenas para que os olhos dele estivessem em mim.


"É claro que a vida é boa
E a alegria, a única indizível emoção
É claro que te acho linda
Em ti bendigo o amor das coisas simples
É claro que te amo
E tenho tudo para ser feliz
Mas acontece que eu sou triste..."
(Vinícius)

PS: Meus lirismos excessivos estão voltando.

15 Piruetas.:

Luana Ferraz disse...

Nossa que fantástico, lindo, eu também tenho esse desejo de ser livro, quem sabe, pretensiosamente ser as leituras vivas de Clarice...

Muito lindo.

Canteiro Pessoal disse...

Nossa Karine, que lindo de ser lido. Confesso que sou vidrada por escritos neste porte ou estilo.
Lembra-me de algo que escrevi a poucos dias, uma frase, que seria !? "... leia-me até o final... este que não encerra a leitura".
Uma dança, ocorreu em meu ser, ao ler tudo que psicografastes. Coloquei-me de olhos fechados, a fim de conhecer os passos do Ele. Olhar no espelho vival que afaga minhas madeixas. Cheiro que me perfuma sem igual, incomparável. O sussurro que me envolve e desliza entre os meus lábios muitas vezes, secos. Conduzida, a recordar de música, a doce voz do acontecer que desperta a face e guarda a pele do sorriso que se escuta no [!?]- Pomba minha, minha pra sempre, tatuo a tez da saudade do dormir no mais nos meus braços. Hum... na tua pele espalho o meu perfume.

Lindo e convidativo seu escrito no mais de todos os dias, por ser ainda mais, leitura exclusiva do meu Ele.

Beijos mil Ave Rara

Priscila Cáliga

Dri Viaro disse...

Tô passando pra conhecer seu blog, e desejar otima semana
bjs

aguardo sua visita :)

Mariana Dore disse...

Hoje, tudo que li pelos blogs me tocou, assim como o qu você escreveu. Nã há como não se identificar quando se quer viver sonhos que não corroboram com a realidade. O querer e não conseguir fazer acontecer nos dá uma sensação dolorosa de incapacidade. Mas seremos livros, pra quem queremos que sejam os leiores... Se Deus quiser.

;D

Mariana Dore disse...

Usarei uma frase sua como citação em meu proximo posto, ok?
=*

;D

João Romova disse...

Menina de Deus! (diria minha avó...)

Que lirismo excessivamente bonito foi esse?

Dri Viaro disse...

Oi Ka, um dia abençoado pra vc
bjs

Nasca disse...

ser a capa e a contra-capa..
e tudo mais, e todo o mais..

fico com lindo
embora seja maior.

:*

Jaya disse...

Ah, dona Ká! Lá vem você com essas delícias poéticas. A palavra vira açúcar, quando você se propõe esse lirismo acertado.

Somos todos livros nessa vida, bonita. Mas infelizmente nem todos são feitos em versos. Nem tudo é sempre poesia.

Lindo, de novo.

Beijo, frô.

Junkie careta disse...

"Ele talvez não lembre, mas quando me encontrou os meus olhos eram de adeus. É que eu me despedia de mim todos os dias, morrendo, cedendo, calando. E ele apareceu como quem corta caminho, espalhando as flores de uma estação que eu não conhecia."

Nossa...

Avassalador baby...

Não é só vc quem fica se ar ao me ler. A recíproca é absolutamente verdadeira.

Fiquei comovido com sua descrição de tudo que alguém consegue trazer para nossas vidas no momento em que a poesia se instala.

Só posso parabenizar pela qualidade do texto a cada dia ficar melhor.

Bjo

Andréia disse...

seus posts são sempre muito envolventes ah se eu escrevesse assim..

Junkie careta disse...

Saudade de seus posts...
Quando vai colocar um novo?
E os leitores, como ficam?
Bjo

Rute Almeida disse...

Faltou ar, aqui. Lindo!

Tem selo pra ti lá no blog, mana linda.

Beijos!

Fabiola disse...

bacana seu blog.
Parabéns!

Abraço

Jaya disse...

Ká?

 

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