sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

Entre [nós].

Me amarre sim, mas não com força. Deixa espaço para que eu também faça meus próprios nós. Porque entre você e eu, moço, as cordas se esticaram. Já nem me lembro se começou por mim, quando percebi estavam em meus pés, nas tuas mãos, em nós. E quanto mais você puxa, mais eu amarro, quanto mais eu resisto, mais se apertam, numa confusão de cordas e olhos, de fogo e silêncio. E é das minhas próprias mãos que chego até você, sem força, apenas por impulso. E não diga que não quer me ter assim, amarrada em você, pois é justamente para isso que tuas cordas me cercam. Eu te rodeio com as coincidências entrelaçadas, com os nós na garganta, na alma, no corpo... e você me persegue com as palavras que apertam, que gelam, que queimam. Somos a vontade presa ao querer, mas levemente, delicadas ainda que famintas. Se dizes que da distância se faz poesia, respondo que sim... mas deixa que eu movimente a corda que te traz pra perto para que vejas que, frente a frente, nossos versos tem mais sintonia, mais alimento. Eu não te prendo, te amarro, e aí esta nossa diferença. Nossos nós são frouxos, são espertos, são traiçoeiros e é a existência deles que nos faz saber o caminho de volta. Não ignore moço, você está tão cheio de cordas quanto eu. Puxe-me perto, que eu te amarro as mãos, e a gente brinca de dar nós entre nós, um por um.



Eu sou a sede que te faltava, então me beba.

12 Piruetas.:

jefferson disse...

Perfeito como sempre.
Laços que nos prendem com a nossa permissão.
Nós que damos sem intenção de soltá-los.
Porém, quando menos percebemos, eles frouxam e caem.
Mas fazemos de conta que não vimos e continuamos atados a eles. Ao outro.

"Eu sou a sede que te faltava, então me beba."

Nara Caroline disse...

Vc arrasa
definitivamente vc arrasa
Adorei

Bju

[ rod ] disse...

Desejo eloquente... que transmite vastos sentidos... o querer pode ser assim vivido?

Bjs moça,








Novo Dogma:
pedRas...


dogMas...
dos atos, fatos e mitos...

http://do-gmas.blogspot.com/

Átila Siqueira. disse...

Oi Karine, quanto tempo, hein?

Lindo demais o seu texto, cheio de cordas em meio ao amor. E acho que os relacionamentos são assim mesmo, ficamos amarrados, mas ao mesmo tempo, também ficamos mais soltos.

Um grande abraço,
Átila Siqueira.

Pri C. Figueira disse...

Oi linda!

Nossa, que texto!
Um sentimento tão intenso, tão forte!!
Como sempre seus textos são envolventes, que captam a atenção de uma forma arrebatadora... lindo isso!

Ahh querida, também estou com saudades suas!!

Bjs flor!

Amanda Bia disse...

muito bom o texto. é aquela coisa: "estar-se preso por vontade". saber-se preso, e ao mesmo tempo livre. isso é muito bom!
beijo!

Andréia disse...

vivo, intenso, excitante... to fascinada!

bjuú

ALF disse...

Nossa Karine, é o texto que dá aquele frisson. Lindo a maneira narrada. O teor sentimental é intenso e ousado. Embora sem apelação.
A poética é indiscutível.

Que lindo mesmo.
Fiquei encantado.
;)

Beijocas

.Dazinha. disse...

amo TUDO que você escreve, adoro seu jeito de entrelaçar as palavras, do suave e doce que sai delas.

:)

Beijocas

Jaya disse...

Gostei, Ká.

Li duas vezes.

(:

Bom te ter de volta.

Besos.

Tiago Júlio disse...

"Eu sou a sede que te faltava, então me beba."

Beber a sede pra ficar com sede... não é a idéia de "amor" que tenho para comigo.
Mas o texto é bom e bem amarrado sim. :)

Ana R. Barbosa disse...

Bem legal seu blog, parabéns!
=)

 

Blog Template by BloggerCandy.com