quinta-feira, 6 de novembro de 2008

Canção.

Escrito com Filipe, o moço da canção.

Quiria eu ter esse jeito bunito de falar de amô. Os pueta colocam umas rima bunita, umas palavra que mais parece ingrês. Eu num sei de muita coisa, frôr. Nem sô pueta. Sei de uma coisa ardida que nasce no estômo e vem subino que nem fogo pelo peito. Acontece quando ocê passa no seu vestidinho de chita verde, bonito que só. E eu vou procurando um jeito de colocá em palavras tudo isso meio doido que ‘contece ni mim. Mas fico mudim da silva, minha língua perde as força e eu só sei oiá ocê passando. Dispois, fico treinando no espelho, procurando as palavra bunita do dicionário pra poder falar pra ti. Mas aí me vem todo esse seu chêro e perco o prumo. Desando numa choradeira sem fim. É que eu sou chorão, sabe? Desdi pequeno. Vontade mesmo eu tenho de guardá ocê na minha mão, levá ocê pra todo canto. O pai tinha um amuleto que ele carregava no peito. Quiria fazê isso docê. Mas num sei, vivo angustiado sem sabê suas resposta. Ocê, toda timidazinha, nem me óia direito. Será que amo sozinho, frôr? Será que não tem nem um pedacinho dentro docê pra me caber?


Cê vem falando assim, de amô e das palavra, e eu qui tentando sabê porque meus óio não conseguem ficar nocê. É que cada veiz que eu tento, fico toda tonta e parece que o sol vem morá no meu rosto. Eu sô toda besta nesta coisa de amô, nunca vi o dos livro,não. Mas só de olhá procê já dá até uma vontade de fazê puesia, daquelas bem bunita. Sabe, cê nunca viu, mas eu gosto de ficá te espiando durmí na rede, parece inté que sô eu qui descanso de tão bem qui faz. E de noite, quando cê prosea com a viola, eu espio da cozinha prá depois dormi lembrando docê cantando e murrê de ciúme do céu. Nunca vi amô naum, mas parece qui ele viu ocê. Num sei do espaço do peito da gente, mas acho que tem um bocado docê ni'mim e fujo porque dá medo, sabe? Diz moço, cê canta só pro céu? Porque eu quiria essa canção.


A canção que eu toco pra lua eu peço pra fazê chegá aí na sua casa, frôr. E ‘té vejo ocê de fita no cabelo, debruçada na janela, ouvino meu desafinar. Tão bunito seus óio refletindo esse brilho de amô-guardado. Quando a mãe contava aquelas historinha de fadas, sempre imaginei a princesa assim, qui nem ocê. Desdi sempre eu já fui amando sua pose de rainha. E meu coração escapole por todos os cantos quando ocê pinta seu cabelo de frôr. Isso é amô? Num sô estudado, mas intendo bem dessas estripulias que ‘contecem no peito. E, qué sabê? O amô já se apresentou procê. Vejo no seu jeitim de colher as goiaba no pé, vejo no seu jeitim de sorrir pelos canto da boca, escuto nessa cançãozinha que nasce dos seus beiço. Ocê é bunita, sabe? Mas é uma buniteza de pele, de cílios. E é purisso que eu amo, frôr. Porque seu jeitim me pôs sentimento, me pôs assim, meio doido. Dá ‘qui sua mão, sente a minha suada, nervosa por causa docê? Não fica vermelha, frôr, se bem que cê fica mais linda assim, coradinha. O bom mesmo é sabê que a canção que nasceu ni mim, agora toca nocê. Mais bom é sabê que vamo cantá ela juntim, qui nem casal de novela. Qué vê? Vô te ensiná o tom.


Ocê canta tão bonito que eu me sinto passarinho cantando c'ocê, vôo qui'nem minina. Repara só no céu todinho ajuntado pra ouvi nóis canta o amô. Parece 'té qui escurece pra genti, e qui chama toda as estrela prá brilha nocê. E ocê segurando a minha mão assim tão forte, sinto um 'cadinho de aperto gostoso no peito, sabe? É de felicidade, parece 'té qui vai explodi. Me ensina o tom de todas as canção qui ocê canta qui eu vou me afinar nocê, devagarim, qui nem vento na frôr. Sabe, ocê é igualzim vento. É que enquanto ocê fica andando pelo campo e eu te vejo de longe, ou quando tá pertim, qui'nem agora, eu sinto ocê soprar ni mim e me espalho toda. E o coração fica florido, qui nem jardim. E ocê, chegando pertim assim, me chamando de frôr, mal sabe qui o perfume vem de ti. Te dô uma pétala de sorriso prá perfumá nossa canção. É que o amô ni mim floriu e cantou o teu nome, e eu me guardei qui nem botão só pra desabrochá nocê.

9 Piruetas.:

Mr. Ziggy disse...

Muito boa a proposta de vocês em se aventurarem no mineirês. Muito ousado de sua parte, Ká, que é gauchona, ter se proposto a fazer isso. Se saiu muito bem! Só achei o caipira meio delicado, se pensarmos no esteriótipo do caipira mineiro, que é mais rústico, mesmo quando morre de amores. Parabéns aos dois!
Ziggy

Pri C. Figueira disse...

Qui amô bunitinhu (rsrs)!
O texto de vocês passa uma pureza, um toque de inocência!
Tão lindo!
Lendo imaginei, os dois conversando por cartas, tamanha a timidez de ambos os lados!

Lindo tudo isso (como sempre!)

Bjus frôr!

Bruna.K disse...

Que lindo, Ká!!!!!

Muito puro, muito delicado...
Dava pra sentir o vento e ver as flores... Dava pra sonhar...

Isso existe mesmo? Se não... Viva a Literatura!

Amo d+!

Bjus mil...
Bru

P.S.: Amei o comentário lá na Débora... Me deixou mais colorida!

Jaya disse...

Ô, zenteeeee!
(:

Tá tão fofo o texto, que dá vontade de abraçar as palavras inteiras. Tem um açúcar gostoso, daqueles que lembra doce de leite caseiro feito pela vó, na roça.

Adorei a linguagem que vocês usaram. Ficou um cadim diferente de tudo que a gente anda lendo por aí. Rs.

Sabe, na minha mente que produz tirinhas, dessa vez, eu plagiei Maurício de Souza. É que tanta pureza e inocência me lembrou o romance de Chico Bento e Rosinha, nos quadrinhos. Lindimaisdaconta! (:

"Quiria eu ter esse jeito bunito de falar de amô."

Abençoados os que encontram um jeito qualquer de falar de amor. Eu, não consigo. E digo mais: falar de amor assim, com um tom tão infante, é coisa pra pouca gente. Coisa de gente que carrega sempre alma de criança. Pura ternura!

Aplaudo vocês, Ká e Lipe, meus doces.

E beijo, muitão!

[Comentário repetido, do blog de Filipe, onde li o texto primeiro. Rs].

Carla Silva e Cunha disse...

ola

Parabens pelo seu blog é muito interessante.

Carla

http://www.arte-e-ponto.blogspot.com

Glau Ribeiro disse...

Karine,

Achei você!!! Tanto tempo tentando, e nem achava! Acho que acontecia algum problema de ordem tecnológica toda vez que tentei encontrar você depois que te via passeando no meu canto.

1º - Obrigada pelas visitas, moça. Adorava toda vez que você deixava palavras por lá, voando. =) Agora num te perco mais, já tem pedacim procê lá no meu canto só pra não desencontrar.

2° - Li texto primeiro no blog de Filipe, mas vim cá antes de comentar no dele pra ler de novo no seu. E eu dei todas as piruetas com esse texto. Tão mineiro. Tão meu, que achei. Essa falamansa, essa gostosa mania de engolir palavras pra deixá-las mais doces.

Ai ai.. E eu suspiro de ver essa prosa tão inocente, regada de amô dos mais lindos de se ver. Purim que só ele. E eu, minerinha que sou, me colori toda. E foi lindimais da conta! =)

Parabéns aos dois, poetas!

Beeeijo meu!

Nanda disse...

E eu que 'estava' querendo ser durona, um tanto fria e desapegada ao amor... Aqui venho, depois de uma semana sem computador, só pra esquecer essa mania que eu tenho de querer ser o que eu não sou.

Lindo demais esse texto, vou imprimir e ler para meus alunos. Acho que eles vão gostar!

Mil beijos! s2

ALF disse...

Karine, que mágico. Senti-me flutuando nessas palavras tão melodiosas que rimam um amor tão brejeiro, singelo e inocente. Que coisa linda demais minha querida. É texto leve que deixa o coração sorrindo e com um sorriso sem fim.

A maneira escolhida pra escrever. Uma linguagem que difere dos textos tradicionais, mas que nos faz ver um amor puro, envolvente, espontâneo e sincero.

Lindo mesmo essa canção, que agora já se instala dentro de mim.
;)

Filipe é outro que sabe dar cor e sensibilidade aos textos.

Ficou maravilhoso.


ps: Ah menina, sua presença em meu blog será sempre uma honra. Ter sua doçura e seu perfume por lá será magnífico demais. Volte mais vezes sim. Quanto a mim trouxe mala e cuia pra cá. Blog bom a gente não visita sempre, a gente mora nele de vez
:D

Grande Beijo
Karine

Thiago Sanguebsche disse...

Lindíssimo!!!

Transmite a idéia de um amor totalmente puro e ingênuo!! Sem maldade alguma!! Um amor verdadeiro!!!


Desculpa a demora dar uma passadinha por aki. É que ando meio enrolado com a faculdade!!!

Um grande beijo!!!


PS.: queria saber se tu tens algum contato do Lucas (msn ou email). Conversei bastante com ele em Bagé mas não o encontrei no último dia pra pedir isso. Deus abençoe!!!

 

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