terça-feira, 9 de setembro de 2008

Esquina.

"Perfume tão esquisito
E de tal suavidade,
Que mesmo desapar'cido
Revive numa saudade!
!"
Cantigas leva-as o vento- Florbela.

Quando eu dobrava a esquina dos meus planos, surgiu você em rumo oposto. E, por um tempo, eu caminhei na sua estrada, ainda que você não me visse. Sabe, ver você crescendo em mim era tão mágico, que fui presa fácil. E fiz-me flor para decorar o teu romance.
A primeira vez que a tua música tocou, moço, eu dancei. E as tuas palavras se fecharam de tal forma com as minhas que eu cheguei a acreditar naquela história de completar frases. Era tanto pra dizer, tanto pra criar, que minha poesia se apegou a tuas metáforas. E eu contava as horas para que as borboletas voassem ao nosso redor, como menina.
A primeira vez que a tua voz cantou, moço, eu respondi. Talvez você não tenha escutado. Mas eu tentei olhar pela janela embaçada.
Engraçado, mas eu gostava de falar horas sobre as coisas-como o amor-. Mas moço, eram só palavras. Eu queria era viver o que escrevia além do papel. E quando derramavas tua chuva sobre mim, acredite, eu fugia. Isto porque tua chuva tinha gosto de despedida. Cada conversa, ainda que informal , parecia uma despedida. Eu sabia que teria que voltar ao meu caminho, mas caminhar ao seu lado era tão bom que eu nem mesmo lembrava para onde estava indo.
Sabe, o pouco tempo que sentamos para ver o sol, eu desenhei teu rosto no ar. Fiquei te olhando ajeitar meu cabelo. Tão doce. E a primeira vez que você pensou em sonhar, moço, eu também pensei.
O que você não sabe, é que doeu dar a volta e deixar-te ir. Você pensou que era fuga, mas era meu jeito de deixar em você a parte boa de mim. Mas não esqueço que entre o teu andar e o meu houve uma estrada em comum. E o segredo é que as vezes, quando sento para descansar da caminhada, penso em como teria sido se eu não tivesse retornado. É que foi preciso seguir o rumo que já era meu.
Eu hoje vou dobrar uma nova esquina, moço. Não sei quantas já andaste e nem se estás paralelo a mim, mas sei que outras estradas virão. Aqui, olhando pro nada, desejo que apareçam flores no seu caminho. Não com o perfume das minhas palavras, mas com uma nova estação. Egoísmo é querer que os caminhos se cruzem sempre. E a primeira flor que eu ganhei, moço, foi você quem deu. E eu guardei.
Não duvide das lembranças que eu trago em mim. Delas eu é que sei. E, a cada esquina, vou deixando uma flor cair dos meus pés. São zeladoras do silêncio que guardo em mim.
Se por acaso, moço, algum dia encontrares alguma delas, saiba que já terei pisado a mesma estrada. E elas poderão contar que do romance nem tudo são flores, tem vezes que elas apenas são rastros da memória, guardando caminhos para contar histórias, até mesmo aquelas que, embora desenhadas no ar, não foram vividas.

18 Piruetas.:

Nanda Kenshin's disse...

Eu odeio quando romantizam textos de paixões fugazes, mas eu fui obrigada e me render aos encantos do seu romantismo moça.


Mil beijos e cafunés!


Nanda x)

Victor Canti disse...

emocionante seu texto, sua linguagem traz para bem perto o que sente, eu tb ja senti isto, mas vc traduziu com perfeição!!
obs. valeu pelo comentário, foi dos melhores que podia ter recebido. e tb coloquei seu link...
beijos
boa semana!

Victor Canti disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Victor Canti disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Camilinha disse...

A vida né fácil, não, gatinha...
As gentes vêm e vão. Vezenquando a gente vai também...


beijos daqui...

Maria Fernanda disse...

Ironias. :\

Pri C. Figueira disse...

Cada vez que leio seus textos sou transportada para outro mundo, fico a imaginar a cena em cada texto escrito!!
Esse não foi diferente!!! Simplesmente lindo!

Tens uma forma tão bela e tão doce de escrever!!!

Bjinhuss!

J. Caribé disse...

Eita, quantas mudanças por aqui...
Gostei!

Beijos.

Dalaila disse...

estradas que não divergem, e com marcas de vida

Jaya disse...

Ká,

E se eu disser que foi das coisas mais lindas que já li em “Inegociável”? Pois foi. Me levou a tantas coisas minhas, essas tuas palavras. E que suavidade, moça. Eu fico encantada em vê-la fazer esse balé enfeitado em ternura, com as palavras. Poesia tua, bailarina. Danço junto.

Espero que ainda que não seja sempre flores em meio aos romances, a gente consiga preservar raízes daquelas que nasceram, um dia. Caso as encontremos despetaladas, que preservemos o perfume, então. Cheiro de saudade. E é doce.

Meu beijo,

Jaya.

P.S.: Nosso encontro em “Neverland” vai acontecer, sim senhora! Rs. Coloca tuas sapatilhas e se prepara para uns rodopios. Já dividimos o mesmo céu, agora é ser presente de estrela. Outro beijo.

Filipe Garcia disse...

Ká,

foi bonito o tom que você adotou a esse texto. Me senti cúmplice, achei palavras minhas no meio dos seus versos; cumplicidade.

Esse gostar com o pé no chão é algo que os poetas, por vezes, muito esquecem. O amor traz um turbilhão de conflitos. Tem nada que seja somente margaridas. E eu gostei desse seu realismo, sem perder a poesia.

Beijo pra você.

Ariana disse...

Bem romântico!

Lindo d+ ficou o texto!
Parabéns!

Beijo

Luana e Luma disse...

Oiiiii ninaaa.
Como c tah?
Passando só p dar um oi msm, pq aki jah tah tard, e jah tams com sono..hehe
+ qdo dder passarems por aki novamente.

bjuss
Deus te abençoe!!
saudads..

caicko disse...

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Lembrei de um poema do americano

Rick Mody, ao mastigar seu texto:

"Beije-me, seu pirralho. Não me faça

pedir. Estrelas no céu da noite não

pedem para brilhar, pedem? Beije-me,

seu tolo. Não me faça ajoelhar. Flores

nos arbustos Não param pra se ajoelhar

quando é primavera". PARABÉNS! Beijos

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ALBERGUE*MENTAL
http://caioalbergue.blogspot.com

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Projeto Reticere disse...

Puxa, que texto belo.
Poucas vezes li algo tão sincero... belíssima prosa poética... obrigado.

ass. Gleuber Militani

Jamille Lobato disse...

Percebo que temos algumas "recomendações de blogs" em comum.
Gostei daqui e volto mais vezes para ler com calma.

Jamille Lobato disse...

Percebo que temos algumas "recomendações de blogs" em comum.
Gostei daqui e volto mais vezes para ler com calma.

Glau Ribeiro disse...

(longo suspiro)

Como eu voei pro texto seu, Ká. Como eu vivi momentos já vividos e que eu quis tanto viver novamente por muitas e muitas vezes, e no meu caso, tive que assisti-lo ir embora. Pegou o caminho do outro lado da estrada, mas nunca saiu de perto de mim.

Seu texto permitiu que eu dividisse com você sentimentos meus. E me fez ter tantas saudades.

Uma grande mistura de tristeza, doces lembranças, cheirinho de romance, e muita felicidade guardada pra ser contada por muitas vidas.

Coisa linda suas palavras. Me encantaram muito, moça. Obrigada por compartilhar.

Bjs!

 

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