segunda-feira, 14 de abril de 2008

Conselhos.

Não chore menina.
Não quero ver as lágrimas no teu rosto tão pueril. Foste criada rocha, foste criada amor. Só não chores... ainda que doa a alma, que os pés se cansem, que tudo na volta seja escuro sem paz. Lembre que o coração é criança arisca, serelepe, ingênua. Não o culpes por causar tanta dor, mas entenda que ele é dado a acessos infantis.

Apenas acalme a euforia de tua alma, e não deixe as luzes desviarem teu foco.
Tempos atrás eras menina entregue a sorrisos, entre as bonecas dos sonhos, entre as cirandas da infância. Agora, sentes a lágrima rasgar a face, explodir o peito, inflamar os olhos. Nem sequer perdeste a pureza de teu castelo, e já o vês ruir. A vida te puxou pela mão, cirandeando o amor com teu vestido florido sem nem mesmo arrancar a boneca de tuas mãos.
Não chore menina. Não haverá festas daqui por diante. O bolo enfeitado, o colorido da sala, todos eles fugiram durante teu crescer. Percebas que o mundo já não é mais o teu mundo, e o vento que sopra já não apenas te embala, ele agora é contrário, ele agora é dor. A chuva, tua amiga de rodopios, tornou-se tempestade, e o sol, teu cavalheiro, agora queima teu chão.
Foste vítima da astúcia do coração. Creste no vão, na fábula. Agora vês que ele é laço sem volta, roubou tuas sandálias, rasgou seus desenhos, calou suas canções...
Porém, não chores. O coração nunca cresce, é sempre o mesmo. Passa-se o tempo e ele cai nas mesmas ilusões. Cabe a ti, menina crescida, dominar a criança que palpita em teu peito. Não o sacies sempre, ou ele te seduzirá. Não o escutes ainda, ou te fará sentar e com ele projetar cidades. Entenda que ele é sonhador por natureza, é insensato, é vunerável.
Sei o quanto é complicado calçar o amor quando ainda se tem pés tão pequenos. Por isso te dou minha mão, para que te apois no teu andar e firme teus passos sem tombos. E creia que existe alguém capaz de sarar as tuas lágrimas.
Ainda que os brigadeiros cessem, há um mundo novo esperando teu colorir. Pegue o papel e escreva um novo caminho, desenhe novas paisagens, sonhe uma nova canção. Entregue teu coração para Aquele que o fez, e este o acalmará.
E de todas as tempestades que ainda virão, terás paz.
Não chores menina, agora és moça, és mulher. Ainda que a dor persista, é preciso levantar. Desabroche o sorriso em meio a dor. Pois estes sorrisos -aqueles dados na tristeza- costumam ser os mais verdadeiros. Exale o perfume de tua nova existência, cresça as cores de tua alma.
Entregue as lágrimas e deixe o coração acalmar. Ele grita, mas depois se aqüieta.
Todo mundo já chorou por amor, bem-vinda.
Dá-me, filho meu, o teu coração, e os teus olhos observem os meus caminhos (Provérbio 23:26).
Conjuro-vos, ó filhas de Jerusalém, que não acordeis nem desperteis o amor, até que ele o queira. (Cantares 8:4)

2 Piruetas.:

Bruna.K disse...

Ká...
Tentei, tentei mesmo escoher uma parte favorita para colar aqui e falar sobre... IMPOSSÍVEL! Teria que colar todo o texto!
Deves fazer o que me falaste hoje, viu? Sem medo... Nós (adolis) precisamos dessas palavras. Precisamos ver que não estamos sozinhas. Precisamos de quem nos dê a mão, alguém que nos apóie.
Obrigada por ser essa pessoa pra mim!
Te amo muito!
Beijos mil...

Alice disse...

Menina .... adorei esse teu cantinho... e olha, tem Deus aqui nesse lugar !!!
Passa pra conhecer meu blog ( mais teológico do que poético)
www.verdadesnuas.blogspot.com

estou linkando vc
bjkassssss

 

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