sábado, 22 de dezembro de 2007

Perdida.

Perdida.
Sometimes nos sentimos assim.
Ainda que haja uma multidão ao nosso redor, ainda que eles gritem, façam uma porção de barulho, nos sentimos perdidos. Como se cavássemos um buraco para esconder os temores e logo após nos jogássemos dentro dele. Você não percebe ninguém, você não escuta ninguém. É Deus, você e só.
Esforçamos toda a nossa percepção, seja emocional, espiritual ou até física, para ouvir uma voz que guie, que ajude, a voz de Deus. Mas é vão, só se percebe o silêncio. Então choramos, rimos, batemos os pés ou simplesmente guardamos tudo dentro do peito.
Não entendemos por que o silêncio, não entendemos por que ninguém parece ver o quanto só precisamos de uma palavra, daquela palavra.
É aquele tempo em que deitamos a cabeça no travesseiro e sentimos ela pesar tanto, mas tanto, que deixamos os pensamentos desabarem pelos olhos. O tempo que não se sabe para o que fazer, a não ser esperar.
Sentimos o mundo passar, os dias passarem, mas estamos ali, procurando o caminho da volta sem saber por onde começar. Sentindo aquela voz que grita e aquele nó que aperta a garganta. E o silêncio.
Certa vez, quando criança, me perdi na praia. Não me lembro como foi, sei que mergulhei e quando levantei, vi tantos rostos e cores, sem familiarizar nenhum. Comecei a caminhar pela praia, cada vez mais longe. Eu chorava, mas parecia que ninguém via. Caminhava sem rumo, perdida, sem saber o que fazer.
Depois de caminhar muito tempo, sentei e fiquei chorando baixinho, com os joelhos escondendo o rosto. Pensei que nunca mais ia voltar. Me senti sozinha. Diante de mim tinha o mar, na minha volta gritos, mas ninguém me via.Até que senti uma mão no meu ombro perguntando se eu era a Karine. Lembro que foi como se me tirassem de um buraco. Aquele homem pegou minha mão e me levou até minha mãe. Quando minha mãe me abraçou, vi que ela tinha chorado muito, e que muitas pessoas olhavam para nós.
Então percebi. Eu não estava sozinha. Todo o tempo ela estava atrás de mim.
Embora o repuxo tenha me levado para longe dos olhos dela, o seu amor tinha feito com que ela movesse a praia toda na minha busca.
Desde então eu sei. Ainda que eu esteja perdida e que pareça sem resposta, basta sentar e esperar.
Uma hora o silêncio acabará e sentirei no meu ombro aquela mão que me indicará o caminho e aquela voz me chamando pelo nome. Eu sei.

1 Piruetas.:

Mr. Ziggy disse...

Que bom que você sabe que essa mão existe, por mais que o "silêncio", que tanto fala, desespere a gente. Essa mão que nos toca o ombro existe. Belo texto!

 

Blog Template by BloggerCandy.com