terça-feira, 9 de outubro de 2007

Trânsito.

Passou um carro. E outro. E outro. Tão inconstantes na estrada quanto os sentimentos no peito. Nem sei por que passam, e muito menos por que não ficam. Eles simplesmente correm, uns acometidos da pressa, outros da calma.Os sentimentos, digo, os carros, levam cada um uma história dentro de si.
Eu olhei a estrada e me vi. O sol batia sobre ela e reluzia na calçada. Bem ali há um canteiro que separa as duas mãos. Quem atravessa a rua deve parar no canteiro, ou poderá ser surpreendido por um carro apressado. Aquele canteiro é o abismo entre os rumos apostos, que separa minha vontade de ficar do meu anseio de partir. Cruzam-se rumos, cruzam-se histórias. E o canteiro permanece.
Eu estava sentada no abismo. Dali podia ver os dois lados. Vi o amor e a aventura, vi o pecado e o arrependimento, vi a luz e a escuridão. Traçavam rumos opostos, e eu pude os ver passar.
Então eu te vi. Você caminhava no mesmo sentido do acaso. Tantas lembranças vieram quando te vi na minha estrada! Lembrei dos corações prateados que um dia adornaram os dias e que tive tanto para dizer nas vezes que não disse nada!
Eu chorei. Não como aquele dia, um choro de fuga, mas um choro que me limpasse a alma. Você estava exatamente na divisa do meu ódio e do meu querer. Não que eles seguissem o acaso, como era a sua intenção, mas porque um te procura e o outro tu arrastas. Para qual dos dois seguirias?
Eu baixei os olhos e te deixei seguir. Você continuou rumo ao acaso, perseguido pelo meu ódio...arrastando meu querer.
Eu não te segui. Simplesmente te deixei correr o rumo da estrada. Não que eu não quisesse, mas porque simplesmente aquele não era o lado que eu deveria ir. Incrível, mas me dividi. Parte de mim talvez tenha ficado com você. Mas eu permaneci no canteiro te olhando caminhar, esperando que talvez um dia nossas ruas se cruzem e tracem o mesmo rumo. Naquele instante, levantei, e devagar segui no lado oposto ao teu.
E os carros passam. Os sentimentos, digo, os carros, podem cruzar por diversas vezes a mesma rua. Dentro de mim, porém, eu crio canteiros que os dividam.

2 Piruetas.:

Mr. Ziggy disse...

Por acaso você está falando da Avenida Vila Lobos? Tu já foi lá e não me contou? Cara, lá nem passam tantos carros assim, mas tem um belo canteiro. Fica próxima à serra, rodeada de belas casas, alguns carros descem ou sobem e os passarinhos cantam em manhãs gostosas de domingo repletas de brisa. Quando li, vi a Vila Lobos. Adoro aquele lugar... encontro paz, pássaros e ar puro.

Mr. Ziggy disse...

Algumas vezes pedalei por lá. Outras caminhei voltando de uma boa subida na serra(a Vila Lobos termina de frente à serra na rua Perimetral)... Quando nessa avenida chego após descer a serra, olho pra trás e vejo o quanto andei, recordo-me das tantas belas paisagens qu pude ver lá de cima. Momentos bons esses cuja dose me permitirei repetir. Talvez eu seja mais criativo e inspirado na próxima caminhada: levarei papel, caneta e talvez um violão. Acho que vai ser possível caminhar no meio da rua, sem me preocupar em ser atropelado. Haha! Observarei o que há de novo no canteiro, no cantarolar dos pássaros e nas casas com seus novos jardins.

 

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